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:: Sábado, Janeiro 29, 2005 ::
O MOSAICO DE ALEXANDRE
(Alexandre da Macedônia - 356 / 323 a.C.)
Como o famoso guerreiro macedônico em questão está na moda por causa do filme com aquele Alexandre louro, seguidor do Aquiles louro do filme Tróia (gregos oxigenados, que mico, como é que os diretores permitiram esse visual?!?), eu me lembrei do famoso mosaico de Alexandre que, retirado do chão da chamada Casa do Fauno em Pompéia, descansa agora no Museu de Nápoles... e ninguém mais lhe pisa em cima.
A cena é, presume-se, a batalha de Isso (333 a.C.), entre Alexandre Magno e Dario III da Pérsia, decisiva para a vitória de Alexandre sobre os persas.
Os estudiosos acham que este mosaico romano do século I provavelmente seja uma cópia de um desenho grego de Filoxeno de Erétria, que viveu no final do século IV a.C.
Esta suposição é perfeitamente possível.
Existem hoje mais afrescos e mosaicos romanos remanescentes do que na Grécia por causa da preservação de Pompéia e Herculano, cidades soterradas por mil e oitocentos anos sob os dejetos vulcânicos derramados pelo Vesúvio. Não temos muitos exemplos de afrescos gregos porque, é claro, lá não houve preservação semelhante, e como acontece na vida de qualquer cidade, paredes velhas são repintadas e casas velhas, demolidas. Mas o pouco que existe dá pra perceber onde os romanos aprenderam a desenhar com tal precisão.
(Veja a tumba de Felipe, o pai de Alexandre, descoberta em 1977.)
Cada vez que eu vejo o mosaico de Alexandre mais me espanto com a sua beleza, harmonia e altíssima competência do(s) artista(s). As pedras que compõem o mosaico são bem pequeninas e de cores bastante variadas, dando à composição excelente noção de volume e movimento. Cada indivíduo está em uma posição dramática diferente, e o mesmo acontece com os cavalos. Como esses artistas sabiam a arte da representação de figuras, meu Deus!
Reparem, além disso, na composição em si: as cabeças de Alexandre e Dario são as mais altas, dando-lhes destaque; o movimento da batalha está lindamente representado nas pessoas e animais, lógico, mas também nas linhas das lanças sobre as cabeças dos soldados. Complementando o equilíbrio da composição, uma árvore seca, entre os líderes, destaca-se ao fundo e, traçando linhas horizontais imaginárias, o painel divide-se em três partes iguais: à esquerda até a árvore, o exército de Alexandre avança; à direita (a partir da cabeça de Dario), o exército de Dario recua; ao centro, a zona de conflito.
A árvore é seca, ou seja, é um elemento dramático da guerra em si - sem vida, com seus galhos retorcidos para o alto, como a clamar por algo.
Lindo, mesmo. Não há alexandres louros nem morenos do cinema que possam competir com a beleza desta obra.
E vou-me embora porque já babei demais.
Cabeça de Alexandre - detalhe
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:: 2:16 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 25, 2005 ::
Como falar na filmografia francesa sem falar de FERNANDEL, um dos ícones da cultura francesa do século XX?
Há tempos tenho pensado em fazer um pequeno post sobre Fernandel, cujos filmes assisti em minha infância, e acho que a ocasião é esta.
Fernandel, comediante francês, nasceu em 8 de maio de 1903 e morreu em 26 fevereiro de 1971. Seu nome inteiro é Fernand Joseph Désiré Contandin. Iniciou sua vida artística em 1921 como cômico no teatro, passando ao cinema em 1930, iniciando assim uma filmografia de 149 filmes durante as décadas de 30, 40, 50 e 60. Adotou o nome de Fernandel porque sua sogra o chamada sempre de "Fernand d'elle"...
Sua personagem mais conhecida é a de Dom Camillo, exercitada em 6 filmes: O Pequeno Mundo de Dom Camillo, 1952; O Retorno de Dom Camillo, 1953; Dom Camillo e o Prefeito Pepponne (1955); Dom Camillo Mosenhor...Mas Nem Tanto (1961); Dom Camillo na Rússia (1965); Dom Camillo e os Jovens de Hoje (1971-72, mas as cenas foram cortadas com seu falecimento, entrando o ator Gastone Moschin em seu lugar).
Dom Camillo e o Prefeito Pepponne são personagens criadas por Giovanni Guareschi. A história gira em torno das desavenças do padre com o prefeito, que é comunista e ateu.
Fernandel, entretanto, divertiu os franceses bem mais que isso. Seus 149 filmes mostram a empatia existente entre o ator, suas personagens e o povo francês.
Cartaz do filme La Cuisine au Beurre, de 1963
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:: 12:40 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 18, 2005 ::
Não achei referência sobre o autor do cartaz do filme
Todos já viram ou pelo menos ouviram falar do filme MON ONCLE (Meu Tio -1958), dirigido e protagonizado por Jacques Tati, diretor e comediante francês. Uma comédia de costumes, onde o novo (o pós-guerra) é contraposto ao antigo (ao jeito-de-ser francês) com bom-gosto e bom humor.
É um filme de sorrisos, não de gargalhadas.
Cenários modernosos e antigos contrapõem-se, e Tati brinca tanto em um quanto em outro na pele de Monsieur Hulot, auxiliado por seu sobrinho meio sufocado pela casa mecanizada dos pais.
Tati satiriza, mais do que o ter, o ostentar. Satiriza a confiança alienada, cega e superficial num futuro mecanizado que prometia ser otimista. Quem não viu o filme, veja. E preste atenção ao simbolismo dos cenários, do gestual das personagens, dos animais, da luz, das cores, das construções, da tal fábrica do cunhado de Hulot e sua secretária, dos sons, do casal Arpel dono daquela residência modernosa exasperante.
Falando em gestual e atitude corporal, Tati nos reporta, no Hulot caricaturado criado por ele, a tipos muito antigos eternizados nos desenhos góticos franceses. Seja ou não de propósito, a referência está lá. Observe as calças apertadas (Hulot as tinha apertadas e meio curtas, por sinal), os pés em ângulo com as pontas para fora como os de palhaço, a atitude meio nobre meio plebéia de misuras, o corpo empertigado, o nariz grande, francês, a la De Gaulle:
Gravura de Jean le Tavernier, 1460
E o sobrinho de Hulot, se em 1958 tinha 7 anos, hoje deve ter 50. Tomara que a convivência do menino com esse tio genial tenha minimizado a influência do cotidiano insípido de seus pais. Simbolicamente falando, é claro.
Jacques Tati como Monsieur Hulot
Falei besteira? Acho que não.
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:: 8:32 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Janeiro 12, 2005 ::
Esta é uma pequena amostra de ilustrações que eram vendidas em papelarias antigas, antes que fossem inventados os decalques (aquelas películas que precisam de água para serem despregadas do papel-base e coladas na folha de caderno,no ladrilho etc). E olhem que os decalques já são velhinhos, pois a garotada hoje usa figuras autocolantes.
Esses pedacinhos destacáveis eram chamados de cromos, e os cromos alemães eram os mais vendidos. Cada pedacinho tinha um certo relevo acompanhando o desenho feito em tintas brilhantes. O papel era bem grosso, e precisava de cola (goma arábica, pois não havia cola plástica) para aderir à folha dos cadernos.
Havia cromos de historinhas infantis (esta daqui parece ser a do Robinson Crusoé, mas não tenho certeza), de flores, buquês, animais...
Este aqui é parte de uma coleçãozinha que eu guardo, e é sobra da tipografia que meu pai tinha no início da década de 40.
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:: 12:02 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 04, 2005 ::
Arnaldo Jabor, em uma de suas crônicas, disse que quando assistiu Forrest Gump teve uma sensação desconfortável, ocorrendo o mesmo com o filme Independence Day. Passado algum tempo, percebeu que os dois filmes foram organizados por cabeças pensantes republicanas, tentando açambarcar a opinião pública (para determinada forma de ver a nação e, claro, ver o mundo do alto da escada de armar, eu diria).
Independence Daycausou em mim essa sensação de vergonha da raça humana por ter engendrado tal bobagem, confesso, mas Forrest Gump me escapou.
Mas confesso ainda que desde que surgiu aquele desenho do ratinho russo (Fievel, não é esse o nome?) correndo atrás do sonho americano tenho essa sensação de desconforto com dois príncipes roliudianos superbadalados e reverenciados: primeiro, com Steven Spielberg - foi ele quem produziu o ratinho babaca - e outro com o seu amigo do peito Tom Hanks, o Forrest, o americano babaca. Depois do ratinho e da proclamada amizade dos dois amigos do peito conservadores tenazes, não consigo mais ver qualquer coisa de ambos sem achar que seus salários são pagos por mais gente do que se imagina.
Junto a esse desfilar de virtudes republicanas o outro filme babacão O Resgate do Soldado Ryan.
Agora tudo se encaixa.
Pois ultimamente tem passado, no Canal Sonny, uma seriezinha chamada Jack & Bobby.
A frase de chamada para a série é: Um deles vai ser o Presidente de uma nação...
A princípio pensei que seria uma coisa pseudo-histórica sobre os irmãos Kennedy, mas não. É uma ficção. A mãe dos dois irmãos adolescentes é professora universitária, mãe solteira, mulher forte e liberada etc. Criou os filhos sozinha.
Daí também comecei a ousar pensar como o Jabor: penso que um dos filhos (talvez Jack, o primogênito - vale dizer que não assisto a série, só vejo as chamadas) tem princípios republicanos; e que Bobby, o mais novo, reage como um democrata. É providencial não terem um pai: assim não há exemplos a seguir, não há distrações sobre quem segue a herança paterna ou quem se rebela contra ela. O tal futuro Presidente não deve ter sido escolhido ainda, porque certamente os escritores da série irão obedecer a alguma pesquisa de opinião pública. Ou estarão querendo dirigi-la para um dos dois adolescentes babacas??
Orai e vigiai, diz a Bíblia em certo ponto que nem sei qual porque não fico decorando capítulos e versículos. Mas diz, e é bom ficarmos espertos porque sempre sobra para nós, mesmo...
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:: 12:35 PM [+] ::
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