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:: Domingo, Fevereiro 20, 2005 ::
(Para meu desespero, não há referência ao autor desta obra lá onde eu retirei a imagem. Defeitos da Net e - ainda - dos nossos livros didáticos.)
Em primeiro lugar: dêem uma chegada no blog do Plínio para ler e ouvir o post mais recente dele.
Depois, dêem uma chegada no Entre Outras Mil (meu outro blog) para ler um conto - pequeno, do jeito que eu gosto - que fiz há dois anos e nunca publiquei.
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:: 10:51 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005 ::
Quanto ao quadro A BALSA (OU JANGADA) DO MEDUSA, do post abaixo, quando eu era adolescente eu me referia a ele, como só as mentes adolescentes o fazem (por sua conotação de liberdade, descompromisso e ironia), - eu me referia a ele, repito - como Suruba no Mar.
Eu não sabia, na época, da tragédia.
Aliás, todas as tragédias me eram desconhecidas. Acho até que mesmo que as tivesse por perto não as reconheceria, a não ser que fosse um evento pessoal, individual e intransferível - uma tragédia de corpo, que a de alma não me passaria o mínimo de eletricidade.
Naquele tempo de inserção na auto-estrada da vida, mesmo a tragédia vizinha seria estrangeira.
Os hormônios nos fazem cruéis. Talvez tenhamos sido sempre carnívoros - mesmo canibais - desde o início dos tempos.
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:: 11:58 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005 ::
THÉODORE GERICAULT (1791-1824) iniciou o quadro A Jangada da (ou do) Medusa em 1818, uma grande tela de 4,19 x 7,16 metros, dois anos após o motim e o naufrágio na costa africana da fragata francesa Medusa, um escândalo naval cujo resultado foi um pequeno número de sobreviventes numa jangada por longo tempo até que fossem resgatados. Jules Michelet (1798-1874), historiador francês, viu neste quadro uma alegoria da sociedade francesa à deriva depois da queda de Napoleão. A letra M de Medusa está eternizada nos dois triângulos que se cruzam, formando duas massas humanas. Géricault estudou, por longo período, mortos, moribundos (no Hospital Beaujon) e a documentação disponível sobre o naufrágio para compor a sua visão, e a apresentou ao Salão de Paris em 1819 causando grande alvoroço. Ganhou medalha, mas o governo francês não comprou o quadro na ocasião. No espólio do artista, em 1824, o imenso quadro foi adquirido para o Louvre e lá está.
A imagem acima fala por si: a foto é muito parecida com o quadro.
Maiores considerações a respeito, farei num próximo post.
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:: 9:34 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005 ::
Os dentes de Lia Mara rangiam quando aquele comercial passava, mas durava pouco. Pior era quando Rodolfo chegava com a carne moída dum açougue de segunda, embrulhada no jornal. Lia Mara cravava seus olhos na novela, mas o cheiro da fritura chegava até a sala.
As mãos rígidas, mas ágeis, alguns nós. O ringue. Não há o que falar no ringue nem fora dele. Alguns pingos quentes tentaram chamar a atenção de Rodolfo. Flâmulas na cozinha, quem diria, o único lugar, único, permitido após seus longos silêncios de cara embotadamente magoada. Lia Mara deixou, finalmente, sabendo que o resto era dela porque as paredes falam por si, e nas paredes do resto daquela caixa onde viviam estavam todos os artistas do momento colados com cola branca, alguns com esparadrapo, outros com fita durex, alguns já desbotados, outros um pouco rasgados.
O mundo estava lá em forma de olhos, sorrisos, gestos, fundos de cena. Todos os artistas olhavam pra Lia Mara, mas Rodolfo nem ligava. Não olhavam pra ele. Papel, tudo é papel.
Tudo é papel, menos a TV meio torta e o seu nariz quebrado, as mãos calosas e o cheiro daquela carne.
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:: 1:52 AM [+] ::
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