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:: Quarta-feira, Abril 27, 2005 ::

CELSO RENATO DE LIMA


Do popular ao erudito, do brasileiro ao universal; maravilhosamente construtivo. Biografia aqui e aqui.

Imagens emprestadas do site do Itaú Cultural.



Da série Triângulos Mineiros, 1967 - tinta acrílica sobre madeira - 77x60 cm



Sem Título - sem data - tinta acrílica sobre madeira - 80x72 cm



Sem título - sem data - tinta acrílica sobre madeira - 80x80 cm


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:: Quarta-feira, Abril 20, 2005 ::


Esta é uma foto de meu pai jovem, lá pelos anos 30. Ele não era exatamente um modelo de beleza, mas olhem a qualidade da foto!
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:: Segunda-feira, Abril 18, 2005 ::

Tentei colocar aqui uma imagem que não deu certo. Outra vez. Mas se fiz tudo certinho...
Bem, fica pra outra. Era uma foto de um prediozinho art-déco na minha cidade.

Ah, esses pequenos heróis sobreviventes!!...
Pena que pouca gente realmente vê a sua importância.
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:: Segunda-feira, Abril 11, 2005 ::

São Jorge e o dragão - tela de Paolo Ucello - 1470



São Jorge e o dragão - tela de Tintoretto - 1555


Aproveitando o assunto do último post, cá vai mais uma viajada no São Jorge.
Desde que o mundo é mundo, as sagas dos heróis mexem com nossa imaginação e os nossos desejos, pois sempre há necessidade mesmo, em qualquer época, de um salvador. Entre os heróis imaginários modernos figuram o Super-Homem, o Batman e outros igualmente conhecidos. Entre os não tão imaginários estão Napoleão, Tiradentes, Frei Caneca, Garibaldi e muitos outros cujas histórias podem até ser exageradas, mas os ditos-cujos existiram e fizeram fama.
Lembrei-me agora de uma fala na peça Galileu Galilei do Brecht. Um aluno, decepcionado porque Galileu negou suas afirmações científicas perante o tribunal da Inquisição, diz a ele: Pobre do país que não tem heróis. Galileu responde: Não. Pobre do país que precisa de heróis.

Quanto à história de São Jorge, parece que a narração mais antiga está no volume Vida dos Santos de Jacobus de Voragine, escrito em 1275. O santo guerreiro do século III, natural da Capadócia (na Turquia), livrou a filha do rei de Selena (Líbia) e todos os habitantes da cidade de um voraz dragão, matando-o. Mais tarde Jorge foi para a Palestina e ingressou o exército de Diocleciano; converteu-se ao cristianismo e foi torturado.

Observando os quadros acima, é bem interessante observar a postura feminina em ambos.
Ucello e todos os outros artistas anteriores a ele e os de seu tempo colocam a moça/vítima de forma passiva, esperando que seu salvador a tire da enrascada. Mas Tintoretto inaugura o seu movimento: a moça foge da cena em nossa direção, ou na direção do espectador. Se não for o mais antigo, Tintoretto é um dos primeiros a colocar a vítima famosa nessa posição. Há uma mudança e tanto, aqui. De cega confiança e passiva espera para um movimento de sobrevivência autônomo: a princesa já não confiava tanto na vitória do herói. Do santo. Sem contar que a luta entre o santo e o dragão, em Tintoretto, ocupa um lugar ao fundo, ou seja, não está em primeiro plano.
É verdade que muita coisa mudou na Europa entre 1470 e 1555. A Reforma Religiosa tomou vulto entre essas datas, e Tintoretto pode muito bem ter colocado no quadro um aviso aos cristãos.
Depois de um tempo, a moça desaparece das representações do santo. Acho que ela fugiu de vez.
E salve-se quem puder.

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:: Segunda-feira, Abril 04, 2005 ::


Mosaico macedônico: Belerofonte e a Quimera - séc. V a.C.


Os símbolos fazem do ser humano um ser humano. A espécie humana é a única que simboliza - isto é, até alguém conseguir realmente comunicar-se com os animais.
Atribui-se a Sócrates o conceito de que o homem é um animal social; mas os lobos, golfinhos etc também o são.
Dizia-se depois, e atribui-se a Platão, que o homem é um animal político: as abelhas e cupins também têm uma organização social e política complexa.
Jung, finalmente, disse que o homem é um animal religioso; ou seja, é um animal que, além de tudo isso aí acima, mantém um código de símbolos que favorecem sua evolução espiritual pessoal e coletiva.
O interessante é que esses códigos - rituais, imagens, fórmulas de palavras, sinais gráficos, pensamentos etc - repetem-se, como se perpetuamente precisássemos deles. As religiões vêm e vão e os códigos ficam.

A imagem acima é um exemplo: Belerofonte... ou São Jorge?

Em O Pêndulo de Foucault um dos rapazes organizadores da coleção ocultista diz que esta terá tudo o que os outros livros ocultistas têm, porque a repetição faz com que sejam esses conceitos sejam críveis...

A repetição é uma forma de instituir veracidade...

Pois algo tem ocupado bastante a minha cabeça neste dias. É o fato de que, principalmente na arte de hoje, a ditadura da criatividade tornou-se o maior divisor de águas: tudo tem de ser extremamente criativo. Não é uma análise boba esta minha, espero eu, porque eu gosto de arte contemporânea. Só gostaria de antecipar o que falarão de nós os críticos do ano 2500.

E chega de viagem, por hoje.


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