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:: Domingo, Agosto 28, 2005 ::
UMA ATRAÇÃO À PARTE: AS JANELAS!!
Janela árabe
Gosto das treliças árabes (eu vejo sem ser vista) às escancaradas sorrindo para a rua, das estreitas e tímidas às enfeitadas e coloridas, das que apenas são rasgo de luz para o sol entrar em casa aos vitrais que esbanjam cores; as indiscretas como a de Hichtcock;os olhos, janelas da alma; as janelas fotografadas, as pintadas...
Janela, de Henri Matisse
Janela Indiscreta, do Hitchcock
Janela em Lisboa
As que suportam peitos, cotovelos, gatos, vasos, móbiles, toalhas em dia de procissão; as que ouvem conversas secretas, as que se fecham nos velórios; as dos grandes prédios que mostram, às centenas, vidas diferentes lado a lado...
Vitral de janela gótica inglesa
Eu queria que meu coração fosse todas as janelas.
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:: 1:34 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Agosto 23, 2005 ::
Roberto Bonfim
Bem que eu quis uma foto do ator Roberto Bonfim novo, rapaz ainda, para mostrar aos meus filhos. Não achei. Uma pena. Aliás, pesquisei todo o IMDB, site dito completíssimo em suas informações sobre cinema, mas os filmes brasileiros - e muitos europeus - não têm fotos para mostrar. Quem seria responsável pelas fotos no site? Quem organiza as fotos?Seriam os donos do site ou os responsáveis pela película? Quem seria o responsável por NÃO haver fotos dos filmes e atores brasileiros nesse sítio?
E por que o Roberto Bonfim não tem um site dele? Está mais do que na hora!!
Papo de fã...
Roberto Bonfim de Andrade nasceu em 12 de março de 1945 no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira no cinema (de acordo com o IMDB) em 1969 no filme Pedro Diabo ama Rosa Meia-Noite. Lamentavelmente eu perdi a apresentação de Gota d'água (1975), peça de Chico Buarque em que atuou. E Roberto Bonfim continua na telinha de TV, fazendo novela atrás de novela.
O tipo moreno descontraído, meio malandro, o homem perfeito entre Marte e Vênus, é o inspirador da personagem de Miguel, no meu conto sobre a vida de Laurinha, a filha do domador. Miguel e Roberto, na minha ingênua fantasia, têm essa qualidade quase antiga de viver a vida em paz com os deuses Dionísio, Apolo e Zeus. A mistura ideal. O sorriso carioca, redentor, aquele peito que abraça a baía da Guanabara, quem sabe um morador antigo da rua Miguel Lemos, em Copacabana, que conhece todos os donos e fregueses dos bares e padarias da rua e que, em domingo de jogo do Brasil, se une com seus pares pra assistir a lavada de cadeirinha, cerveja e TV na calçada...
A cara boa do Roberto Bonfim está nos meus contos de parques de diversões, de subúrbios cariocas, de festas juninas... Não, caros amigos, rodeio não. Vaquejada sim, até pode ser.
Coisa de fã...
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:: 11:57 AM [+] ::
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:: Domingo, Agosto 14, 2005 ::
SONATA DE OUTONO (1978) é um dos meus filmes preferidos. Dirigido pelo sueco Ingmar Bergman, um dos gênios mundiais do cinema e do teatro, estrelado por Ingrid Bergman (o último filme que esta grande atriz fez em língua sueca) como Charlotte, pianista famosa, por Liv Ullmann (em fantástica atuação dramática) como sua filha Eva e Lena Nyman (outra atriz maravilhosa - menos conhecida) como sua outra filha Helena e outros atores igualmente competentes, o filme é uma dilacerante lavação de roupa suja. Sentimentos de rejeição, desapontamento, amor, ódio entre mãe e filha (Ingrid e Liv) tomam conta da tela, atravessam o espaço e dilaceram a platéia.
Todos deveriam assistir esta peça de arte.
Mas há também a peça de teatro no Rio: Marieta Severo e Andréa Beltrão fazem a dupla mãe-filha, e eu gostaria imensamente de poder assisti-las.
Fica aqui a sugestão para esse programa duplo para os que podem. Para os fortes, os que agüentam um doloroso embate psicológico de quase duas horas na vida dessas mulheres maravilhosas.
O interessante é que o último filme sueco que Ingrid Bergman fez antes de ir para Hollywood, INTERMEZZO (1936) ela interpretou uma pianista em início de carreira. Ao fim de sua carreira como atriz ela volta à Suécia e interpreta, na sua língua mater (1978), uma pianista em fim de carreira... como se fosse, o segundo, uma continuação do primeiro...
Obra de mestre, essa perpetuação da personagem...
Se não me engano, eu já falei sobre este filme antes aqui neste blog... Mas não resisti, pois a peça está em cartaz no Brasil!
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:: 7:55 PM [+] ::
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:: Domingo, Agosto 07, 2005 ::
A GENTE ACHA QUE TUDO É NOVO; NO ENTANTO...
É no ano de 425 a.C. que Aristófanes dedica a peça Os Cavaleiros a Cléon, substituto de Péricles no governo da cidade de Atenas. Aristófanes faz tudo para desmoralizá-lo. O nome da peça provém de uma divisão militar de origens aristocráticas na qual Aristófanes põe as esperanças de desmoralizar Cléon.
Na peça, uma casa é governada pelo escravo Panflagônio através de mentiras, armações e demais ações insidiosas. A casa, na peça, simboliza o povo; o escravo do povo (o governante) é o demagogo Panflagônio.
A peça se resume à luta entre Panflagônio (Cléon) e um salsicheiro que, segundo os oráculos, seria o sucessor do demagogo no poder de Atenas. No agón entre o salsicheiro e Panflagônio, desenvolve-se uma corrosiva crítica aos sistema democrático de escolha dos governantes. Críticas, aliás, à democracia é que não faltam em Os Cavaleiros. Aristófanes denuncia o oportunismo de Cléon num determinado episódio de ataque a uma ilha e o oportunismo dos políticos em geral. Um exemplo disto é o diálogo travado entre um outro escravo - uma caricatura do general Demóstenes - e o salsicheiro. No diálogo, o escravo tenta convencer o salsicheiro de que este pode e deve entrar na política para enfrentar Panflagônio.
Salsicheiro:
Mas, diga-me uma coisa: como é que eu, um salsicheiro, vou me tornar um político, um líder?
Primeiro Escravo (general Demóstenes):
Mas é precisamente nisso que está a sua grandeza: em você ser um canalha, um vagabundo, um ser inferior!
Salsicheiro:
Pois eu não me julgo digno de tamanho poder!
Primeiro Escravo (general Demóstenes):
Ai, ai, ai, ai, ai, ai! O que é que te faz dizer que não te achas digno? Está parecendo para mim que tens alguma coisa de bom a pesar-te na consciência. Serás tu filho de boa família?
Salsicheiro:
Nem de sombra! De patifes, mais nada!
Primeiro Escravo (general Demóstenes):
Homem ditoso! Que sorte a sua! Tens todas as qualidades para a vida pública!
Salsicheiro:
Mas, meu caro amigo, instrução não tenho nenhuma. Conheço as primeiras letras e, mesmo estas, mal e porcamente!
Primeiro Escravo (general Demóstenes):
Isso não é problema! Que as conheças mal e porcamente! A política não é assunto para gente culta e de bons princípios: é para ignorantes e velhacos!
..............................
Jean-Pierre Vernant, autor de Mito e Tragédia na Grécia Antiga cita, no capítulo I, um fato narrado por Plutarco: Sólon, colérico, abandona indignado uma das primeiras representações teatrais, antes mesmo da instituição dos concursos de peças teatrais (dos quais Aristófanes foi vencedor dezenas de vezes). Téspis, autor da tragédia, defendeu-se dizendo que se tratava apenas de uma peça. Sólon replicou que não se levaria muito tempo para ver as conseqüências de tais ficções nas relações entre os cidadãos.
E por hoje é só.
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:: 1:16 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Agosto 02, 2005 ::
Demorei para atualizar os meus blogs na esperança de que algumas pessoas de Venda Nova do Imigrante, sempre antenadas com o mundo, aparecessem e dessem uma contribuição nos posts que fiz sobre a cidade, mas que coisa difícil para eles é acessar os meus blogs!!
Bem, então vamos a algumas considerações gerais que não têm nada a ver com o assunto passado.
1) Eu costumava dizer que a música Marina, do Dorival Caymmi, é machista demais para o meu gosto. Vejam só: impedindo-a de pintar o seu rosto, o parceiro de Marina faz beicinho dizendo que o rosto dela é só dele (!!!), e fica zangado com um ligeiro lápis nos olhos e um batonzinho básico.
Isso é certo, se a canção é entendida literalmente. Mas se a gente apelar para a metáfora, a coisa muda.
Marina é palavra relativa ao mar, à orla do mar, às praias, ao litoral. Se assim for, a letra de Marina fala sobre a indignação de um homem contra a poluição visual etc. do ambiente em que nasceu e vive. Melhor é acreditar na metáfora.
2) Relembrando: para quem assistiu o filme Tron, feito nos anos 80, e não reparou o tema arquetípico do filme, Tron é o programa de computador que antecede a entrada do herói (de carne e osso) no ambiente dos programas de computação, dentro do computador. Tron é um programa rastreador independente, é aquele que espera que a Verdade oculta seja revelada, lançando-se contra a absorção da célula central de todos os programas, célula que, para ocultar a Verdade sobre a origem destes, desfaz a crença na existência dos usuários (os humanos), restringindo a liberdade de todos os programas. O ser humano que, através de um acidente molecular, penetra no ambiente do computador, funciona como um deus, um ser estranho que virá resgatar a liberdade de todos os programas chupados e controlados pelo eixo central. Pois bem: o tema do filme é uma outra forma de contar a vinda de um Messias antecedido por um São João Batista. Até a cena do batismo existe no filme. Revejam e confiram.
Na época, as críticas sobre o filme foram mais ou menos como as da revista Veja: Este é mais um filme no estilo de Flash Gordon...
Simbolizar é uma arte; decifrar o símbolo requer certa proximidade com essa sofisticação do intelecto. Coisas que, pouco a pouco, vejo perderem-se no mundo da literatura e no da imagem...
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:: 1:13 PM [+] ::
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