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:: Quarta-feira, Dezembro 28, 2005 ::
Há um ditado grosseiro que se alastrou pelo país durante a ditadura militar e que até hoje costumamos repetir em determinadas situações:
Se o estupro é necessário, relaxe e goze.
Lembrei-me deste ditado hoje, às vésperas de fim-de-ano, passando pela memória umas canções que marcaram minha adolescência e juventude: Chovendo na Roseira; Alegria, Alegria; Domingo no Parque; Ponteio; Sabiá; Águas de Março... e tantas outras do mesmo calibre, e mesmo as anteriores ao meu crescimento hormonal como: Chega de Saudade, Dindi...
Caetano Veloso, Chico Buarque, Edu Lobo, Tom Jobim, Gil e alguns outros eram enormes girassóis no imenso areal asséptico que apresentaram a nós, com ordem de que não saíssemos dali.
Aprendi com eles também a respeitar intérpretes cujo repertório estava longe do meu gosto pessoal, mas são artistas que realmente sabem cantar e que têm um estilo próprio: Caubi Peixoto, Agnaldo Timóteo, Sidney Magal...
As artes plásticas acompanhavam o movimento à procura do sol: Rubens Gershman, Lygia Clark, Cildo Meirelles e tantos outros que, como na música, nos proveram de lascas de cultura, sementes que guardamos e pedem continuamente por água.
Acontece que não estamos mais num oásis.
O deserto é estranho; e venta, modificando a forma das dunas mal estas se estabelecem na paisagem.
No deserto, amigos, não fiquem mais de cinco minutos debaixo do sol; passando pela desidratação, sua substância mais essencial foge, desintegra-se, desaparecendo de vez no ar seco.
Eu ando com aquelas roupas de árabe, peregrina, de alma coberta e escondida com panos grossos que ainda mantêm um fio de húmus.
Mas gerações mais novas não sabem ainda sobreviver no deserto.
Portanto, relaxem e gozem no estupro, mas tenham em mente que um estupro é um estupro e que de forma nenhuma poderá tirar de ninguém a integridade que havia no corpo ou na alma do subjugado.
Se é que há alguma integridade cultural no estuprado desta nova geração, diga-se de passagem.
Feliz Ano Novo, é o que desejo mais uma vez e sempre.
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:: 9:58 AM [+] ::
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:: Sexta-feira, Dezembro 23, 2005 ::
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A ORIGEM
De onde eu vim? Onde me encontraste?, pergunta a criança à sua mãe.
Ela chora e ri ao mesmo tempo e, apertando o filho contra o peito, responde:
Tu estavas escondido no meu coração, meu querido, tu eras o seu desejo.
Tu estavas nas bonecas da minha infância; e quando, cada manhã, eu modelava no barro a imagem do meu deus, eras tu que eu fazia e desfazia.
Tu estavas sobre o altar com a divindade do nosso lar; adorando-a, eu te adorava.
Em todas as minhas esperanças, em todos os meus amores, na minha vida, na vida da minha mãe, tu viveste.
O Espírito imortal que preside ao nosso lar acariciou-te sempre no seu seio.
Na adolescência, quando o meu coração abria as suas pétalas, tu o envolvias, como um perfume flutuando.
A tua delicada frescura aveludava os meus membros jovens, tal como o reflexo cor-de-rosa que precede a aurora.
Tu, o querido do céu; tu, de quem a irmã gêmea foi a luz da manhãzinha, foste levado pelas ondas da vida universal, que por fim te depositou no meu coração.
Enquanto contemplo a tua face, a vaga do mistério submerge-me: tu, que pertences a todos, foste-me dado!
Com receio que me escapes, tenho-te apertado sobre o meu coração. Que magia o tesouro do mundo deu aos meus braços frágeis?
De Rabindranah Tagore, texto do livro A Lua Crescente (ou A Lua Jovem)
Imagem: Detalhe de A Madona Sistina, de Rafael
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FELIZ NATAL A TODOS.
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:: 10:51 PM [+] ::
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:: Domingo, Dezembro 18, 2005 ::
Meu pai tinha uma papelaria, quando solteiro. Das poucas coisas que sobraram dela, esta é uma amostra: alguns CROMOS ALEMÃES.
Para quem é jovem e nem conhece o decalque (aquela película finíssima que precisava de água para soltar-se do papel-base e transferi-la para a folha de papel ou qualquer superfície lisa como ladrilhos etc.), que é do meu tempo de criança, aqui vai um pouco do antecessor do decalque: os cromos. Estes, nem do meu tempo são. E os mais famosos eram os alemães.
As figuras vinham em folhas grandes, presas umas às outras por pequenas tiras que o balconista partia de acordo com o número de figuras que eram solicitadas. Em algumas dessas tiras está escrita a frase Made in Germany. O papel era grosso, mais ou menos da textura de cartolina, e cada figura tinha um ligeiro relevo. Precisavam de cola. Goma arábica.
Os motivos eram os mais variados: flores, animais, seqüências de historinhas infantis como Chapeuzinho Vermelho e outras, retratos de gente famosa... Esta seqüência acima é do Robinson Crusoé. Perdoem-me o amarelado das figuras, que está meio over.. O meu escâner antigo as tonalizou assim e ainda não escaneei de novo.
Como eu não conheço mais ninguém que os possua (devem ser raros, mesmo), cá estão, numa pequena visão do passado dos escolares...
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:: 11:05 AM [+] ::
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:: Sábado, Dezembro 10, 2005 ::
V I O L E (n) T A S
Os acontecimentos que ocorrem em cadeia estão prontos, sempre, para pular sobre nós quando damos as costas para os sinais. Os signos. Os sintomas.
Pois inaugurando dezembro, no primeiro sábado, furtaram a minha carteira dentro do açougue apinhado de gente - parecia um trem de subúrbio. Só vi quando fui pagar.
Tudo bem; a carteira foi achada ainda no sábado à tarde, e devolvida no domingo à noite. Documentos intactos, e eu com 30 Reais a menos.
Quem me avisou sobre o achamento foi o dono de um bar-restaurante perto de casa, onde eu pego quentinha de vez em quando. É que o único telefone que havia na carteira era do bar, pois eu encomendo antes de buscar a bóia.
Duas semanas depois, eu precisava visitar uma senhora e, embora soubesse o prédio, não sabia que número apertar no interfone. Pedi ajuda ao dono de uma floricultura em frente desse prédio (é uma rua onde não passa carro) e ele, prontamente, disse: Eu levo você lá. Atravessou a ruazinha e apertou o número certo do apartamento. Agradeci e ainda disse que outro dia eu iria até comprar umas violetas.
Pois bem; dias depois eu fui mesmo, querendo retribuir uma gentileza. E retribuir a outra gentileza anterior, a do dono do bar-restaurante, por ter-me avisado pelo telefone que a carteira já tinha sido achada, e que ele mesmo poderia trazê-la, já que passava todos os dias em frente do tal local onde ela estava.
Entrei na floricultura, procurei violetas brancas e perguntei se entregavam em casa. O dono (que eu conheço desde a adolescência) não me cumprimentou nem me atendeu, e só tinha eu de freguesa no recinto.
Ainda comecei uma conversa dizendo da minha carteira e que eu queria retribuir o favor. Ele nem me olhou, num flagrante descontentamento por eu estar ali.
Saí da loja e vim pela rua arrependendo-me (mea culpa, mea culpa) de tentar ser civilizada. Ainda preciso retribuir a gentileza do homem do bar. Mas depois do gelo tão gelado (oh, é Natal...) estou até com medo. Que será que uma simples gentileza pode gerar nos pensamentos retorcidos das pessoas?
Tenho medo, sim, deste novo estado de espírito reinante. Ou falta de espírito, melhor dizendo. Ou a tal síndrome de pobre que mencionei num dos posts abaixo, segundo a qual uma gentileza só pode ter um segunda intenção.
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:: 1:49 PM [+] ::
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:: Domingo, Dezembro 04, 2005 ::
Amigos, recebi este e-mail hoje e estou repassando neste post porque trata-se de uma informação valiosa.
COMO RECONHECER UMA PESSOA VÍTIMA DE DERRAME RECENTE
Durante um churrasco uma amiga tropeçou e caiu; ela assegurou a todos que estava muito bem (ofereceram chamar um médico) e disse que havia apenas tropeçado sobre um tijolo por causa de seus sapatos novos. Os amigos a limparam e lhe deram um novo prato de comida - enquanto a amiga, Ingrid, parecia um pouco agitada, mas aproveitou o resto da tarde.
O marido de Ingrid ligou mais tarde dizendo a todos que sua esposa tinha sido levada ao hospital (às 18:00 h, Ingrid faleceu). Ela sofreu um derrame no churrasco. Se os amigos tivessem sabido identificar os sinais do derrame talvez Ingrid estivesse conosco hoje.
Leva somente um minuto para você ler isto.
Um neurologista diz que se pudermos chegar a uma vítima de derrame dentro de 3 horas, podemos reverter totalmente os efeitos de um derrame. Disse que o truque era ter um derrame reconhecido, diagnosticado e chegar ao paciente dentro de 3 horas.
RECONHECENDO UM DERRAME
Lembrar as "3" etapas. Leia e aprenda!
Às vezes os sintomas de um derrame são difíceis de identificar. Infelizmente, a falta da consciência leva ao desastre. A vítima do derrame pode sofrer danos no cérebro quando as pessoas próximas falham em reconhecer os sintomas. Os medicos dizem que um observador pode reconhecer um derrame fazendo três simples perguntas:
1. * Peça o indivíduo para SORRIR.
2. * Peça que LEVANTE AMBOS OS BRAÇOS.
3. * Peça que a pessoa FALE uma SENTENÇA SIMPLES (coerentemente; p. ex.:...O dia está ensolarado hoje ...).
Se a pessoa tiver problema com alguma destas tarefas, chame um médico imediatamente e descreva os sintomas.
Após ter descoberto que um grupo de voluntários não-médicos poderia identificar a fraqueza facial, a fraqueza do braço e os problemas do discurso, investigadores incitaram o público em geral a aprender as três perguntas. Apresentaram suas conclusões na reunião anual da associação americana de derrame fevereiro passado, e incentivaram a difusão do uso deste teste que poderia resultar no diagnóstico e no tratamento do derrame e impedir os danos cerebrais.
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:: 10:20 AM [+] ::
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