|
|
:: Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006 ::
O filme O Resgate do Soldado Ryan vai ser exibido num dos canais pagos. De tanto ver o trailer na TV (o filme eu já vi) pensei um pouco sobre a temática do filme. Sou tentada a pensar que o tal resgate, motivo central da história, tem causa improvável. Fico tentada a pensar mais: que o filme é absolutamente direitista, conservador, encomendado, um filme de ocasião.
E que, embora considere tanto Tom Hanks quanto Spielberg altamente comprometidos com a direita norte-americana (e não me bate bem essa diretriz), talvez eu fizesse o mesmo se estivesse na pele de algum deles. Há algo de tentar insuflar alguma ideologia no povão norte-americano, mais do que tentar dirigir a opinião externa...
Quem me dera houvesse algum grupo ufanista por aqui para contrabalançar o descrédito que o nosso povão tem a respeito da própria sociedade de que faz parte, para insuflar no povo o respeito por seu próprio território e sua própria História, que este país pode ser viável e que vale a pena...
O que pensam os amigos neste caso em particular?
Comente aqui, sem medo
:: 12:56 PM [+] ::
...
:: Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006 ::
AMOR SACRO E AMOR PROFANO
Ticiano Vecellio (1490/1576) fez este quadro em 1513-14, ou seja, aos 23, 24 anos de idade, possivelmente para comemorar o casamento do veneziano Nicollò Aurélio (as armas de sua família estão no sarcófago) com Laura Bagarotto.
Mas a primeira pergunta que se faz ao ver o quadro é:
Qual é o amor profano, qual é o amor sagrado?
A ênfase para o amor sacro estaria no recato da moça de branco? Ou no despojamento poético da desnuda?
No século XVIII a escolha do amor sacro recaiu sobre a moça vestida, desconhecendo-se então a tendência neo-platonista de Ticiano e acompanhando a moralidade da época.
Hoje a história é outra.
Mas se no século XVIII prestassem mais atenção aos signos, esta troca não teria tido lugar.
É só observarmos alguns sinais óbvios. A moça desnuda é Vênus Urânia, assim chamada quando sua preocupação amorosa é direcionada ao cosmos, ao divino. Enquanto a moça à esquerda abraça seus bens no pote, a da direita levanta seu braço ao céu segurando uma tocha ritual acesa. A cabeça de Vênus tem, como fundo, o céu, enquanto a moça de branco tem uma árvore (madeira/matéria). As torres ao lado de cada uma, no plano ao fundo, dizem muito, também. A torre ao lado de Vênus é uma torre de igreja, indicando espiritualidade; a que está ao lado da outra é uma torre de castelo, símbolo do poder terreno.
Outros símbolos marcam este quadro: o sarcófago transformado em fonte, as cores do manto e das vestes das moças; a moça vestida usa luvas; há a rosa, há a tigela sobre a beirada do sarcófago, observa-se a direção ascendente do manto vermelho e o manto branco que encobre suas partes íntimas; há o significado do relevo na parede do sarcófago...
É muito legal aprender a ver os sinais...
Deixo o restante da pesquisa para os curiosos!
Penso que melhor seria se a expressão amor profano fosse trocada por amor terreno. Não me parece que Ticiano tenha usado de concepções opostas para fazer o quadro, mas sim de COMPLEMENTARES: felicidade terrena aliada à felicidade espiritual. É só observarmos que Eros ou Cupido, filho de Vênus, encontra-se entre as duas, marcando esse sentido de complementaridade.
Linda obra, essa. Está na Galleria Borghese, em Roma. Espero algum dia poder vê-la in loco!
Comente aqui, sem medo
:: 12:29 PM [+] ::
...
:: Terça-feira, Fevereiro 07, 2006 ::
Acrescentando um exemplo ao post abaixo, lembrei-me de um pequeno incidente verídico que aconteceu com uma amiga.
Renée só anda de carro. Raramente sai às ruas como pedestre.
Pois não é que um dia ela, como PEDESTRE, entrou numa rua transversal à avenida principal e, morta de susto, deu meia volta quando percebeu que estava NA CONTRA MÃO?!?
Pois é... Condicionamento é fogo...
Comente aqui, sem medo
:: 3:06 AM [+] ::
...
:: Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006 ::
Vocês já repararam que hoje em dia os pedestres se comportam como automóveis nas calçadas? Pois vejam se não é:
Todos os pedestres vão em frente pela direita. Ai daquele que resolver andar pela esquerda, na calçada.
Todos os pedestres acham que seu próprio corpo é uma jamanta, mas o outro cidadão é só um pedestre mesmo; infeliz daquele que não sai da frente enquanto ele passa, porque vai ser atropelado.
O mau-humor tomou conta dos que vão a pé; xingam a mãe de qualquer um que os atrase um pouquinho na ultrapassagem.
Aliás, essa coisa de xingar na rua está um desacerto. Como se xinga nas ruas, meu Deus! É porra pra cá, caralho pra lá, puta que pariu até pros postes...
Pressinto que alguma coisa no ar está prestes a explodir, e está cada dia mais perto.
Comente aqui, sem medo
:: 2:29 AM [+] ::
...
|