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:: Sexta-feira, Maio 26, 2006 ::

Pois é.
A tal carta, que tanto apreciei, cheguei até a chorar quando li, olhando outra vez percebi algumas coisitas. Além do "papai" com "i" em vez de "papae", há uma abrangência de datas e acontecimentos que mostram a falta de contato da Princesa com o tal Visconde há muito tempo, pois ela se refere à queda do Banco Mauá em 1878, e a carta é de 1889. Onze anos?!? Nesses onze anos ela não se referiu nunca à tal queda com o amigo Visconde? Ou não via o Visconde nesses onze anos? E se não o via em tão longo período de tempo, como se refere a ele como "amigo" e lhe confessa planos futuros revolucionários como o sufrágio feminino?
Ainda o "papai": sendo o referido pai um Imperador, mais provável seria escrever "Papae" com "P" maiúsculo. Aliás, era prática, até entre os mortais, escrever Papae e Mamãe com iniciais maiúsculas, naquele tempo.
A expressão "escravocrata" me espantou um pouco. Seria comum referir-se a eles com esta expressão, naquela época? Escravocratas e militares... Estaria a situação tão definida assim para a Princesa e o governo vigente ou essa clareza é fruto de análise posterior?!?
Bem, eu gosto muito do período do Reinado. Acho que foi uma imprudência e uma infantilidade dos políticos da época achar que mudando de Reinado para República o Brasil iria, num passe de mágica, ser um país poderoso e próspero. O fato de termos por herdeira do trono uma mulher acelerou o processo. O Conde D'Eu, consorte da futura Rainha, era - dizem - antipático e mal sabia falar Português - o que incentivou mais ainda os republicanos. E é possível que, se tivéssemos aqui hoje uma Monarquia Constitucional como a da Inglaterra (modelo do nosso sistema monárquico), o Brasil seria um país mais unido, uma nação mais forte. É possível, sim.
Mas a carta... Bem... Também é possível ter sido escrita por Isabel... Ou não?!?
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:: Sexta-feira, Maio 12, 2006 ::

Revista Nossa História ¿ Ano 3/nº31 ¿ maio de 2006
Leiam documento inédito e devidamente autenticado pelo Museu Imperial de Petrópolis

CARTA DA PRINCESA ISABEL PARA O VISCONDE DE SANTA VITÓRIA
(o Visconde de Sta. Vitória foi sócio do Visconde de Mauá)

Em 11 de agosto de 1889
(três meses antes do golpe de Estado que deu origem à República)

Caro Sr. Visconde de Santa Vitória

Fui informada por papai que me colocou a par da intenção e do envio dos fundos de seu Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de maio do ano passado, e o sigilo que o Sr. Pediu ao presidente do gabinete para não provocar maior reação violenta dos escravocratas. Deus nos proteja se os escravocratas e os militares saibam deste nosso negócio, pois seria o fim do atual governo e mesmo do Império e da casa de Bragança no Brasil. Nosso amigo Nabuco, além dos senhores Rebouças, Patrocínio e Dantas, poderão dar auxílio a partir do dia 20 de novembro quando as Câmaras se reunirem para a posse da nova Legislatura. Com o apoio dos novos deputados e os amigos fiéis de papai no Senado será possível realizar as mudanças que sonho para o Brasil!
Com os fundos doados pelo Sr. Teremos oportunidade de colocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas próprias trabalhando na agricultura e na pecuária e delas tirando seus próprios proventos. Fiquei mais sentida ao saber por papai que esta doação significou mais de 2/3 da venda dos seus bens, o que demonstra o amor devotado do Sr. Pelo Brasil. Deus proteja o Sr. E toda a sua família para sempre!
Foi comovente a queda do Banco Mauá em 1878 e a forma honrada e proba porém infeliz, que o Sr. E seu estimado sócio, o grande Visconde de Mauá aceitaram a derrocada, segundo papai tecida pelos ingleses de forma desonesta e corrupta. A queda do Sr. Mauá significou uma grande derrota para o nosso Brasil!
Mas não fiquemos mais no passado, pois o futuro nos será promissor, se os republicanos e escravocratas nos permitirem sonhar mais um pouco. Pois as mudanças que tenho em mente, como o senhor já sabe, vão além da liberação dos cativos. Quero agora dedicar-me a libertar as mulheres dos grilhões do cativeiro doméstico, e isto será possível através do Sufrágio Feminino! Se a mulher pode reinar também pode votar!
Agradeço vossa ajuda de todo meu coração e que Deus o abençoe!
Mando minhas saudações a Madame la Viscomtesse de Santa Vitória e toda a família.

Muito d. coração
Isabel

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