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:: Quarta-feira, Dezembro 27, 2006 ::



FELIZ ANO NOVO!!!

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:: Quarta-feira, Dezembro 20, 2006 ::

O primeiro beijo - Bouguereau - óleo, 1873


DESEJO MUITO AMOR, FELICIDADE, PAZ, PACIÊNCIA PARA TODOS OS AMIGOS E, PARA O MEU PAÍS, QUE SEUS DIRIGENTES FAÇAM JUS A SEU TAMANHO E IMPORTÂNCIA, QUE MUITA GENTE INSISTE EM DIMINUIR.
FELIZ NATAL.

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:: Terça-feira, Dezembro 12, 2006 ::
CARAVAGGIO
Nasce em Caravaggio, Lombardia, 1573
Morre em Porto Ercole, 1610


Michelangelo nasceu Merisi, família que residia na pequena aldeia lombarda de Caravaggio. Adotou este nome depois. Desde a infância rebelde e briguento, aos onze anos é colocado como aprendiz do pintor Simone Peterzano, mas aos 15 ou 16 anos foge para Roma e lá, de confusão em confusão, de processo em processo, de atelier em atelier, rompe com a forma maneirista de pintar, adquirindo para seus quadros uma peculiar luminosidade que desde então se denomina tenebrismo: a luz é projetada com violência sobre o tema central, como um holofote de palco, deixando todo o resto em escuridão. Seus modelos também são uma inovação: pessoas simples retratadas com incrível realismo fazem o papel de figuras cristãs santificadas ou mitológicas. Não é do seu feitio acompanhar o gosto de sua época; seu propósito é renová-lo, sem acompanhar a mediocridade dos que copiam a maneira dos grandes mestres que no século XV e início do XVI foram os pilares do Renascimento.
Caravaggio inaugura o estilo barroco. Eu penso, porém, que ele vai além das classificações.


Descida da Cruz - Caravaggio - óleo sobre tela, 1604


Li em um livro (não consigo me lembrar qual foi, mas sei que é obra idônea) que o quadro acima foi uma modificação elaborada bem depois da morte de Caravaggio. Consta que Rubens, o grande mestre do auge do Barroco, ainda viu o quadro tal como Caravaggio o pintou (aí abaixo), e até fez um desenho dele (SEM a referida figura). O acréscimo fica por conta de um anônimo que achou o quadro terreno demais para um assunto tão sagrado. Assim, hoje vê-se a figura à extrema direita, com olhos e braços voltados para o alto, sem relação harmônica com o que Caravaggio pretendeu. Afinal, a descida da Cruz é o momento mais terreno na vida de Cristo, daí a solidez desta composição perfeita: Dois homens, Cristo, a lápide, as duas Marias. Todos curvados para baixo, para o chão onde Cristo será enterrado. A expressão é mais que tristeza; há algo de constrição e derrota, e deve ter sido mesmo este o sentimento de quem viu seu líder morto. Esta sensação incomodou tanto que alguém colocou nele um apelo aos céus...
Retirei, então, a figura em questão para dar uma idéia de como o quadro original teria sido.
E você, qual das versões prefere?


Descida da Cruz - Caravaggio - óleo sobre tela, 1604


MEUS COMENTÁRIOS SUMIRAM!!! QUE DROGA!!! ENTÃO ME PASSEM UM E-MAIL E ESCREVAM O ENDEREÇO DO SEU BLOG, OK?

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:: Sexta-feira, Dezembro 08, 2006 ::

CLARICE LISPECTOR

(1920-1977)


Dizem que a nossa preferência inconsciente é morrer perto do aniversário. Bem, Clarice Lispector não fugiu à regra. Nasceu em 10 de dezembro, morreu no dia 9 de dezembro. Dos blogs da CRIS e do LINO veio uma sugestão para homenagem coletiva a esta nossa grande escritora que, de pais ucranianos, nasceu no meio do processo de imigração de seus pais para a América, alma viajante que já se anunciava (sagitariana, vamos dizer o quê, não é?). Veio parar aqui no Brasil tal como uma estrela de Belém, abençoando-nos com sua literatura. Em Português. Cá está um trecho de um de seus livros, um dos meus preferidos, de cabeceira mesmo.

TRECHO DO LIVRO
UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES
de Clarice Lispector



Mas olhe todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer 'pelo menos não fui um tolo' e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.




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:: Terça-feira, Dezembro 05, 2006 ::


Em silêncio se ouve Brahms - Gravura minha - 1987


Eu queria mesmo que, em silêncio, se ouvissem as coisas todas que se tem pra ouvir. Queria ir no cinema e ver todo mundo sentado e quieto, celulares desligados. Sinto falta de gente educada, gente que pede por favor, que diz com licença, obrigado, perdão, gente que dá passagem, que deixa os mais velhos seguir andando sem atropelá-los, que se dá bem com os cunhados e noras, que joga baralho com os amigos sem apostar nada e só bebe refrigerante, e nada de pipoca na mesa pra não engordurar as cartas.
Sinto falta de gente que respeita os fumantes como eu, e fumar não é crime, e que reclamasse do que realmente interessa: da camada de ozônio, da poluição das fábricas e do lixo das usinas atômicas, gente que exigisse das prefeituras vários lugares especiais para jogar fora as pilhas.
Sinto falta de gente que fala baixo, que coloca som baixo no carro, que coloca BOM som baixo no carro.
Sinto falta de boa música nos bares e restaurantes, dos rádios em vez das TVs em lugares públicos todas num só canal medíocre passando imagens medíocres e narrativa medíocre., sinto falta de narrativa mesmo, de gente que lê, que vê filme europeu, que entende a delicadeza da simbologia dos movimentos na tela, sinto falta da tela grande de cinema (detesto cinema de shopping).
Sinto falta de um pessoal aqui da cidade que fazia excursão para temporada de ópera no Rio e enchia o ônibus. Sinto falta do Latim nas missas, das missas de Mozart que o coral apresentava (detesto os cantos de hoje), da orquestra sinfônica que outrora tivemos e ninguém se lembra, de Oscarito e ninguém se lembra, de paralelepípedo nas ruas estreitas e ninguém se lembra, dos pés de dama-da-noite perfumando as madrugadas e ninguém se lembra, das fantasias de clóvis e ninguém se lembra.

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:: Sábado, Dezembro 02, 2006 ::
Ah, meus amigos, o Choro Bandido... O Choro Bandido...
Haverá canção mais perfeita do que esta? Algumas são tão perfeitas quanto, mas acima... ou mais perfeita... NUNCA!!
Letra e música em perfeita sincronia!!!
Chico Buarque e Edu Lobo estavam no céu... ou no limbo... quando compuseram esta pérola!
Que saudade dos mestres! Que saudade, Chico! Que saudade, Edu!

CHORO BANDIDO
Chico Buarque - Edu Lobo

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu, serão bonitas,
Não importa, são bonitas as canções...
Mesmo miseráveis os poetas, os seus versos serão bons,
Mesmo porque as notas eram surdas quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira que animou todos os sons...
E daí nasceram as baladas e os arroubos de bandidos como eu cantando assim:
Você nasceu pra mim...
Você nasceu pra mim...

Mesmo que você feche os ouvidos e as janelas do vestido,
Minha musa, vai cair em tentação,
Mesmo porque estou falando grego com sua imaginação...
Mesmo que você fuja de mim por labirintos e alçapões,
Saiba que os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão...
E eis que, menos sábios do que antes,
Os seus lábios ofegantes hão de se entregar assim:
Me leve até o fim,
Me leve até o fim...

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso,
São bonitas, não importa, são bonitas as canções...
Mesmo sendo errados os amantes, seus amores serão bons...




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:: Sexta-feira, Dezembro 01, 2006 ::
Michel Legrand, nascido em 24/02/1932, famoso compostitor francês de mais de 200 trilhas sonoras para séries de TV e de filmes como Les Misérables, Prêt-a-Porter, Duas Garotas Românticas, Os Guarda-Chuvas do Amor, Verão de 42 etc., foi nomeado para 13 Oscars e ganhou três. Em 2004 a Biscoito Fino lançou um álbum Homenagem a Luís Eça, em que Michel Legrand participa.
Para quem conhece a música What are you doing the rest of your life? de Michel Legrand e letra de Alan e Marilyn Bergman (1969), escrevo aqui a letra em versão francesa e a tradução aproximada. Não sei se a versão francesa antecede a inglesa. A versão francesa foi gravada pela ótima cantora Stacey Kent, que tem um estilo e repertório semelhante ao da Julie London. Aliás, ela regravou alguns sucessos desta cantora.

QUE FERAS-TU DE TA VIE?
(de Michel Legrand)


Et demain que feras-tu de ta vie,
Des forêts et des jardins de ta vie ?
Moi, je ne demande rien de ta vie
Que de la vivre avec toi

Partager chaque saison de ton coeur
Être seule à l'horizon de ton coeur
Et la rime sans raison de ton coeur
Quel bonheur... si c'était moi!

Je veux trouver ta main
Pour traverser la nuit
Pour effacer les lendemains de pluie
Et quand s'éteint la flamme
D'une année de plus
Vivre encore la plus belle année
Que nous ayons connue

Tant de joies sont à venir
dans tes yeux
Tant de fleurs dans le sourire
de tes yeux
Que je voudrais m'endormir
dans tes yeux
Et m'éveiller chaque jour

Oh... Toute ma vie,
L'été, l'automne et l'hiver
de ma vie
Je n'aurai qu'une lumière dans ma vie
C'est toi dans ma vie... toujours...


O QUE FARÁS DE TUA VIDA?

E amanhã, que farás de tua vida,
Das florestas e jardins de tua vida?
Eu não peço nada de tua vida
Além de eu vivê-la contigo.

Partilhar cada estação de teu coração
Ser a única no horizonte de teu coração
E a rima sem razão de teu coração
Que felicidade... se fosse eu!

Quero encontrar tua mão
Para atravessar a noite,
Para apagar os amanhãs de chuva
E quando se apaga a chama
De um ano a mais,
Viver ainda o mais belo ano
Que nós vamos conhecer

Tantas alegrias são trazidas
dentro de teus olhos
Tantas flores no sorriso
de teus olhos
Que eu queria adormecer
nos teus olhos
E me despertar a cada dia

Oh... Toda a minha vida
O verão, o outono e o inverno
de minha vida
Eu só teria uma luz na minha vida,
E és tu na minha vida... sempre...



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