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:: Terça-feira, Janeiro 30, 2007 ::
REINALDO AZEVEDO ESCREVEU:
Lembram-se outro dia que pedi aqui o fim das leis de incentivo à cultura? Foi quando eu me disse contrário a qualquer tipo de incentivo, seja para produzir feijão, TV digital, teatro ou música. Pois bem... Sabem quem é que conseguiu autorização do governo federal para captar incentivos? Ninguém menos que Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ana Carolina, Beth Carvalho, Daniela Mercury... Isso mesmo, leitor amigo. Se você tiver a ¿mala¿ sorte de ir ao show de um desses bacanas, estará pagando por ele duas vezes. Se você, como eu, fica longe desse cálice, paga apenas uma. O que é a Lei Rouanet? É renúncia fiscal. A empresa dá dinheiro a estes pobrezinhos, para que façam suas turnês, e depois descontam o valor correspondente do Imposto de Renda. Em suma: nós pagamos.
Como diria a ministra Dilma Rousseff, trata-se de ¿dinheiro público na veia¿. E os ingressos são mais baratos? Os socialistas morenos conseguem assistir aos shows que patrocinam sem saber? Não. Os ingressos variam de R$ 40 a R$ 140.
Vejam estes números: ¿Para fazer sua turnê por Rio e São Paulo, Ana Carolina requisitou R$ 843 mil à Lei Rouanet, e conseguiu captar R$ 700 mil. Os ingressos para o seu show custavam em média R$ 120. Ana Carolina não é um caso solitário na MPB. Daniela Mercury levantou R$ 814 mil da Lei Rouanet para fazer 12 apresentações. O show Brasileirinho 2, de Maria Bethânia, pediu R$ 1 milhão, e já conseguiu captar R$ 300 mil. A turnê percorre 27 cidades. Beth Carvalho festejou seus 60 anos com uma festa no Teatro Castro Alves, de Salvador, com diversos artistas convidados e na qual gravou um DVD e um CD comemorativos. Para tanto, pediu R$ 1,6 milhão e conseguiu captar R$ 1,3 milhão pelo sistema de renúncia fiscal.¿ Fiquei sabendo que Beth Carvalho ainda canta. E encanta doadores de verba... pública!
Notícia completa.........AQUI
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:: 9:40 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Janeiro 18, 2007 ::
O meu post anterior me lembrou de dizer algo que me aborrece à beça.
Se há uma coisa que DETESTO é quando alguém me manda por e-mail uma historinha moral que às vezes é até bonita, mas quem a elaborou cisma porque cisma de colocar abaixo dela uma conclusão moral absolutamente desnecessária. Mais do que desnecessária, a tal conclusão é aborrecida, comum, piegas, como se os leitores não conseguissem, sem a tal liçãozinha, saber o real propósito da historinha.
Acho que essa gente que elabora esses textos não lê livros interessantes e muito menos poesia, e ainda por cima está assistindo filme americano demais, onde o simbolismo é paupérrimo e, quando há algum símbolo (ou metáfora) menos raso, este é meticulosamente explicado porque pressupõe-se que as cabeças contemporâneas não conseguem chegar ao âmago da questão. Um exemplo disto é o ótimo filme Blade Runner, cujos produtores, bestas quadradas, exigiram que tivesse aquela voz em off explicando cada passo porque eles acharam que o povo não ia entender o filme sem aquilo. A versão do diretor é mil vezes melhor.
Por isso, a Semiótica deveria ser ensinada desde a 5ª série para nos livrar dessa falta de silêncio que contamina o símbolo.
Assim, vou narrar uma historinha zen SEM a tal conclusãozinha:
Um grupo de crianças estava dividindo um cesto de laranjas entre si, e a divisão exata não dava certo. Aí uma das crianças viu um monge passando e perguntou se ele, um sábio, um estudioso, poderia fazer com justiça a divisão das laranjas entre seus companheiros.
O monge perguntou:
- Vocês querem a justiça dos homens ou a justiça divina?
As crianças responderam:
- Ora, queremos a justiça divina, pois a justiça divina é muito superior à parca justiça dos homens.
O monge então pegou as laranjas e começou a divisão divina:
- Duas para você, cinco para você, nenhuma para você, quinze para você, sete para você...
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:: 2:16 PM [+] ::
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:: Sábado, Janeiro 13, 2007 ::
CAPA DA REVISTA FRANCESA "VU" - nº 74 - agosto de 1929
Desta foto Mário Peixoto retirou, em Paris, a inspiração para seu filme LIMITE, onde esta foto é reproduzida na apresentação do filme por uma das atrizes.
Sem palavras. Falar alguma coisa aqui será demais e inteiramente desnecessário. .
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:: 8:33 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 09, 2007 ::
MAIS UMA FONTE DE RAIVA E DECEPÇÃO
JÁ LERAM O LIVRO DO JOSÉ J. VEIGA CHAMADO "SOMBRAS DE REIS BARBUDOS"? ELE FALA DE UMA CIDADE EM QUE TODOS TRABALHAVAM NUMA TAL FÁBRICA QUE COMEÇOU A GERENCIAR A VIDA DE TODO MUNDO, CORTANDO QUALQUER ACESSO A QUALQUER DISTRAÇÃO. O PESSOAL DA FÁBRICA CHEGOU A MURAR TODAS AS RUAS PARA QUE OS PASSANTES NÃO VISSEM MAIS NADA A NÃO SER PORTAS E MUROS. QUANDO A ÚNICA DISTRAÇÃO SE TORNOU OBSERVAR OS URUBUS SOBRE A CIDADE, ELES PROIBIRAM AS PESSOAS DE OLHAREM PARA CIMA...
POIS É ASSIM QUE OS BRASILEIROS SE SENTEM SEMPRE QUE ALGUMA COISA QUE IMPULSIONE UM POUQUINHO DE CULTURA E ARTE ACONTECE NESTE PAÍS.
AGORA É O TERRORISMO FEITO EM TORNO DO FECHAMENTO DO ACESSO AO YOUTUBE AOS BRASILEIROS POR CAUSA DAQUELE VÍDEO BESTA SOBRE A TAL MODELO TRANSANDO COM SEU NAMORADO NA PRAIA.
QUE QUE É ISSO, MINHA GENTE?
FECHAR O ACESSO A UM NEGÓCIO QUE CUSTOU AO GOOGLE MILHÕES DE DÓLARES? ASSIM, SEM MAIS NEM MENOS?
PARECE QUE FOI COISA ARMADA DESDE O INÍCIO, SÓ PRA NOS VER MURADOS, ILHADOS E OLHANDO URUBUS!!!
OLHA, EU TENHO 50 E TANTOS ANOS E JÁ VI ESTE TIPO DE COISA ACONTECER NESTE PAÍS VÁRIAS VEZES!!!
SOMOS TODOS UNS BABACAS, MESMO!!!
A NOTÍCIA É DA
Notícias De Agência Estado, Reuters, Magnet e Efe
Empresas de telefonia começam a bloquear acesso ao YouTube
(Reuters) Seg, 08 Jan - 20h37
A notícia toda está em: http://br.tecnologia.yahoo.com/article/08012007/5/noticias-tecnologia-empresas-telefonia-come-am-bloquear-acesso-youtube.html
A SOLUÇÃO MAIS VIÁVEL É NÃO PERMITIR O ACESSO ANÔNIMO AO YOUTUBE E, QUANDO UM CASO ASSIM OCORRER, MULTAR O INDIVÍDUO RESPONSÁVEL, E NÃO O YOUTUBE INTEIRO! PORQUE SE ALGUÉM PASSAR UM E-MAIL DESAFORADO E CALUNIOSO PRA OUTRA PESSOA, O CIDADÃO QUE RECEBEU TAL E-MAIL PODE PROCESSAR A MICROSOFT??? O BIL GATES??? AH, ENTÃO PODE...
E LEIAM AQUI O POST NO BLOG DO REINALDO AZEVEDO:
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/arquivos/2007_01_07_reinaldoazevedo_archive.html#116832965639295795
DIGAM NÃO AO CERCEAMENTO ESTÚPIDO, A ESTA ARMADILHA DESAFORADA, A ESTE DESRESPEITO AO USUÁRIO!!!
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:: 10:58 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 02, 2007 ::
Neste início de ano, época em que o logotipo tradicional é uma criança de fraldas vencendo um velho de barbas brancas, numa síndrome perversa de que o que é novo é melhor e de que o que é velho e destituído de força, alguns pensamentos atravessaram aqui a minha cabeça.
Pensei aqui agora com meus botões que esta imagem do velho/novo transformada em pessoas sempre me incomodou, mas como só me incomodava durante aqueles dias de passagem, não tinha parado para pensar no motivo do desconforto. Mas ontem, primeiro dia do ano, eu vi o Farenheit do Michel Moore. E anteontem vi na TV aquele pobre homem com a corda no pescoço, só um pobre homem mesmo, velho, destituído de qualquer força. O símbolo do velho que se vai, o que já não é imperativo e precisa morrer não só em símbolo, mas todo mundo precisa saber, precisa VER que a força agora é outra. Que o que é velho e ultrapassado morre - e morre na forca, olha que material especial para a semiótica.
No último dia do ano o velho é enforcado e o novo, que enforca o velho desta forma, não é melhor do que ele. Claro que aquele velho em particular é culpado de ordenar atrocidades, mas onde estão os que realmente, fisicamente as fizeram? Onde estão os que enfiaram a faca ou apertaram o gatinho e se sujaram de sangue, onde estão os que estupraram e se vangloriaram da posse ilícita de corpos e bens, onde estão os que torturaram e vilipendiaram famílias inteiras, comunidades inteiras? Como culpar um só homem pelas atrocidades de um grupo inteiro?
Soldados do mundo inteiro deveriam se recusar a ir para qualquer guerra, ou se tornam tão culpados quanto seus comandantes. Sem essa de dizer que receberam ordens e quem comanda é o único responsável. Todos são responsáveis. De um lado e de outro.
Daí eu me lembrei do PC Farias: recebeu dinheiro, sim, foi acusado de ser corrupto, que é uma outra forma de dizer corrompido, mas prefere-se a primeira forma para não pensarmos no outro lado da moeda: nos que corromperam. Onde estão os que corromperam o corrompido? Pois se acharam provas incriminando o corrompido, sabe-se quem o corrompeu. Por que não foram condenados com ele?
O ano velho não morre tão prontamente, assim como não morrem os que transitaram à sua volta. Continuam, mariposas, a procurar outras lâmpadas.
E outros testas-de-ferro.
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:: 11:32 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Dezembro 27, 2006 ::
FELIZ ANO NOVO!!!
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:: 6:44 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Dezembro 20, 2006 ::
O primeiro beijo - Bouguereau - óleo, 1873
DESEJO MUITO AMOR, FELICIDADE, PAZ, PACIÊNCIA PARA TODOS OS AMIGOS E, PARA O MEU PAÍS, QUE SEUS DIRIGENTES FAÇAM JUS A SEU TAMANHO E IMPORTÂNCIA, QUE MUITA GENTE INSISTE EM DIMINUIR.
FELIZ NATAL.
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:: 10:43 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Dezembro 12, 2006 ::
CARAVAGGIO
Nasce em Caravaggio, Lombardia, 1573
Morre em Porto Ercole, 1610
Michelangelo nasceu Merisi, família que residia na pequena aldeia lombarda de Caravaggio. Adotou este nome depois. Desde a infância rebelde e briguento, aos onze anos é colocado como aprendiz do pintor Simone Peterzano, mas aos 15 ou 16 anos foge para Roma e lá, de confusão em confusão, de processo em processo, de atelier em atelier, rompe com a forma maneirista de pintar, adquirindo para seus quadros uma peculiar luminosidade que desde então se denomina tenebrismo: a luz é projetada com violência sobre o tema central, como um holofote de palco, deixando todo o resto em escuridão. Seus modelos também são uma inovação: pessoas simples retratadas com incrível realismo fazem o papel de figuras cristãs santificadas ou mitológicas. Não é do seu feitio acompanhar o gosto de sua época; seu propósito é renová-lo, sem acompanhar a mediocridade dos que copiam a maneira dos grandes mestres que no século XV e início do XVI foram os pilares do Renascimento.
Caravaggio inaugura o estilo barroco. Eu penso, porém, que ele vai além das classificações.
Descida da Cruz - Caravaggio - óleo sobre tela, 1604
Li em um livro (não consigo me lembrar qual foi, mas sei que é obra idônea) que o quadro acima foi uma modificação elaborada bem depois da morte de Caravaggio. Consta que Rubens, o grande mestre do auge do Barroco, ainda viu o quadro tal como Caravaggio o pintou (aí abaixo), e até fez um desenho dele (SEM a referida figura). O acréscimo fica por conta de um anônimo que achou o quadro terreno demais para um assunto tão sagrado. Assim, hoje vê-se a figura à extrema direita, com olhos e braços voltados para o alto, sem relação harmônica com o que Caravaggio pretendeu. Afinal, a descida da Cruz é o momento mais terreno na vida de Cristo, daí a solidez desta composição perfeita: Dois homens, Cristo, a lápide, as duas Marias. Todos curvados para baixo, para o chão onde Cristo será enterrado. A expressão é mais que tristeza; há algo de constrição e derrota, e deve ter sido mesmo este o sentimento de quem viu seu líder morto. Esta sensação incomodou tanto que alguém colocou nele um apelo aos céus...
Retirei, então, a figura em questão para dar uma idéia de como o quadro original teria sido.
E você, qual das versões prefere?
Descida da Cruz - Caravaggio - óleo sobre tela, 1604
MEUS COMENTÁRIOS SUMIRAM!!! QUE DROGA!!! ENTÃO ME PASSEM UM E-MAIL E ESCREVAM O ENDEREÇO DO SEU BLOG, OK?
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:: 10:24 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Dezembro 08, 2006 ::
CLARICE LISPECTOR
(1920-1977)
Dizem que a nossa preferência inconsciente é morrer perto do aniversário. Bem, Clarice Lispector não fugiu à regra. Nasceu em 10 de dezembro, morreu no dia 9 de dezembro. Dos blogs da CRIS e do LINO veio uma sugestão para homenagem coletiva a esta nossa grande escritora que, de pais ucranianos, nasceu no meio do processo de imigração de seus pais para a América, alma viajante que já se anunciava (sagitariana, vamos dizer o quê, não é?). Veio parar aqui no Brasil tal como uma estrela de Belém, abençoando-nos com sua literatura. Em Português. Cá está um trecho de um de seus livros, um dos meus preferidos, de cabeceira mesmo.
TRECHO DO LIVRO
UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES
de Clarice Lispector
Mas olhe todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer 'pelo menos não fui um tolo' e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.
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:: 10:31 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Dezembro 05, 2006 ::
Em silêncio se ouve Brahms - Gravura minha - 1987
Eu queria mesmo que, em silêncio, se ouvissem as coisas todas que se tem pra ouvir. Queria ir no cinema e ver todo mundo sentado e quieto, celulares desligados. Sinto falta de gente educada, gente que pede por favor, que diz com licença, obrigado, perdão, gente que dá passagem, que deixa os mais velhos seguir andando sem atropelá-los, que se dá bem com os cunhados e noras, que joga baralho com os amigos sem apostar nada e só bebe refrigerante, e nada de pipoca na mesa pra não engordurar as cartas.
Sinto falta de gente que respeita os fumantes como eu, e fumar não é crime, e que reclamasse do que realmente interessa: da camada de ozônio, da poluição das fábricas e do lixo das usinas atômicas, gente que exigisse das prefeituras vários lugares especiais para jogar fora as pilhas.
Sinto falta de gente que fala baixo, que coloca som baixo no carro, que coloca BOM som baixo no carro.
Sinto falta de boa música nos bares e restaurantes, dos rádios em vez das TVs em lugares públicos todas num só canal medíocre passando imagens medíocres e narrativa medíocre., sinto falta de narrativa mesmo, de gente que lê, que vê filme europeu, que entende a delicadeza da simbologia dos movimentos na tela, sinto falta da tela grande de cinema (detesto cinema de shopping).
Sinto falta de um pessoal aqui da cidade que fazia excursão para temporada de ópera no Rio e enchia o ônibus. Sinto falta do Latim nas missas, das missas de Mozart que o coral apresentava (detesto os cantos de hoje), da orquestra sinfônica que outrora tivemos e ninguém se lembra, de Oscarito e ninguém se lembra, de paralelepípedo nas ruas estreitas e ninguém se lembra, dos pés de dama-da-noite perfumando as madrugadas e ninguém se lembra, das fantasias de clóvis e ninguém se lembra.
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:: 12:20 PM [+] ::
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:: Sábado, Dezembro 02, 2006 ::
Ah, meus amigos, o Choro Bandido... O Choro Bandido...
Haverá canção mais perfeita do que esta? Algumas são tão perfeitas quanto, mas acima... ou mais perfeita... NUNCA!!
Letra e música em perfeita sincronia!!!
Chico Buarque e Edu Lobo estavam no céu... ou no limbo... quando compuseram esta pérola!
Que saudade dos mestres! Que saudade, Chico! Que saudade, Edu!
CHORO BANDIDO
Chico Buarque - Edu Lobo
Mesmo que os cantores sejam falsos como eu, serão bonitas,
Não importa, são bonitas as canções...
Mesmo miseráveis os poetas, os seus versos serão bons,
Mesmo porque as notas eram surdas quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira que animou todos os sons...
E daí nasceram as baladas e os arroubos de bandidos como eu cantando assim:
Você nasceu pra mim...
Você nasceu pra mim...
Mesmo que você feche os ouvidos e as janelas do vestido,
Minha musa, vai cair em tentação,
Mesmo porque estou falando grego com sua imaginação...
Mesmo que você fuja de mim por labirintos e alçapões,
Saiba que os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão...
E eis que, menos sábios do que antes,
Os seus lábios ofegantes hão de se entregar assim:
Me leve até o fim,
Me leve até o fim...
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso,
São bonitas, não importa, são bonitas as canções...
Mesmo sendo errados os amantes, seus amores serão bons...
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:: 11:03 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Dezembro 01, 2006 ::
Michel Legrand, nascido em 24/02/1932, famoso compostitor francês de mais de 200 trilhas sonoras para séries de TV e de filmes como Les Misérables, Prêt-a-Porter, Duas Garotas Românticas, Os Guarda-Chuvas do Amor, Verão de 42 etc., foi nomeado para 13 Oscars e ganhou três. Em 2004 a Biscoito Fino lançou um álbum Homenagem a Luís Eça, em que Michel Legrand participa.
Para quem conhece a música What are you doing the rest of your life? de Michel Legrand e letra de Alan e Marilyn Bergman (1969), escrevo aqui a letra em versão francesa e a tradução aproximada. Não sei se a versão francesa antecede a inglesa. A versão francesa foi gravada pela ótima cantora Stacey Kent, que tem um estilo e repertório semelhante ao da Julie London. Aliás, ela regravou alguns sucessos desta cantora.
QUE FERAS-TU DE TA VIE?
(de Michel Legrand)
Et demain que feras-tu de ta vie,
Des forêts et des jardins de ta vie ?
Moi, je ne demande rien de ta vie
Que de la vivre avec toi
Partager chaque saison de ton coeur
Être seule à l'horizon de ton coeur
Et la rime sans raison de ton coeur
Quel bonheur... si c'était moi!
Je veux trouver ta main
Pour traverser la nuit
Pour effacer les lendemains de pluie
Et quand s'éteint la flamme
D'une année de plus
Vivre encore la plus belle année
Que nous ayons connue
Tant de joies sont à venir
dans tes yeux
Tant de fleurs dans le sourire
de tes yeux
Que je voudrais m'endormir
dans tes yeux
Et m'éveiller chaque jour
Oh... Toute ma vie,
L'été, l'automne et l'hiver
de ma vie
Je n'aurai qu'une lumière dans ma vie
C'est toi dans ma vie... toujours...
O QUE FARÁS DE TUA VIDA?
E amanhã, que farás de tua vida,
Das florestas e jardins de tua vida?
Eu não peço nada de tua vida
Além de eu vivê-la contigo.
Partilhar cada estação de teu coração
Ser a única no horizonte de teu coração
E a rima sem razão de teu coração
Que felicidade... se fosse eu!
Quero encontrar tua mão
Para atravessar a noite,
Para apagar os amanhãs de chuva
E quando se apaga a chama
De um ano a mais,
Viver ainda o mais belo ano
Que nós vamos conhecer
Tantas alegrias são trazidas
dentro de teus olhos
Tantas flores no sorriso
de teus olhos
Que eu queria adormecer
nos teus olhos
E me despertar a cada dia
Oh... Toda a minha vida
O verão, o outono e o inverno
de minha vida
Eu só teria uma luz na minha vida,
E és tu na minha vida... sempre...
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:: 3:13 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Novembro 28, 2006 ::
MAIS UMA CRIA - APÓS A FOTO DOS MEUS MAIS VELHOS, AGORA A DOCE MENINA:
Na foto do post abaixo vocês viram Daniel (na ponta à esquerda) e Lúcio (ao lado de Daniel), meus dois filhos mais velhos.
Agora, a caçula aqui abaixo, a Bianca, a Bia, Biazinha ou Bianquinha...
Foto recente, em show do Eduardo Dusek em Angra dos Reis.
Que pena, eu não estava lá porque tinha ingresso comprado para assistir o Nelson Freire no Municipal. Aliás, divino, como sempre.
Bianca é a da esquerda. À direita de Dusek, sua amiga Vanessa.
DUSEK: eu a-do-ro o seu trabalho!!!
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:: 2:01 AM [+] ::
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:: Domingo, Novembro 26, 2006 ::
COISAS QUE ACONTECEM
Recuperando meu blog, gente, cá estou eu.
Muita coisa aconteceu nestes meses, mas os lances mais importantes direi aos poucos.
Espero que todos estejam MUITO BEM e visitarei cada blog amigo também aos poucos.
Por enquanto, fiquem com esta bela imagem!!
Os dois da ponta à esquerda são meus filhos mais velhos.
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:: 7:43 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Julho 12, 2006 ::
AINDA O GRUPO DE LAOCOONTE
Nos comentários sobre o post anterior, o Lúcio ressaltou que uma análise sociológica a respeito dos dois períodos (helenístico e renascentista) seria adequada, já que a posição correta do braço direito de Laocoonte sugere uma dramaticidade mais combalida, mais entregue à sorte (azar, na verdade) do que a posição heróica entendida pela mentalidade renascentista.
Minha admiração por Michelangelo é muito grande, e ficou maior ainda depois de saber do fato narrado no post anterior. O artista é conhecido principalmente pelas estátuas de Davi e Moisés e pela pintura quase milagrosa no teto da Capela Sistina. E, apesar da beleza expressiva do teto, não se dizia pintor, mas escultor. Esse teto da referida Capela influenciou de perto a obra de Rafael, que na mesma época pintava as Stanzas dentro do Vaticano. Há clara diferença, nas Stanzas, da pintura de antes e depois que Rafael apreciou a evolução da pintura do teto de Michelangelo. Acompanhando o capítulo O Michelangismo no livro Clássico anticlássico de Giulio Carlo Argan aprendemos que os primeiros pintores barrocos estudaram a fundo a obra de Michelangelo e através desse estudo desenvolveram as características do movimento barroco. Entre esses pintores, Carracci e Caravaggio. E mais: Rodin, no século XIX, também bebeu da mesma fonte.
Mas não quero fugir do assunto em pauta, que é a análise dos períodos helenístico (produção da escultura em questão) e renascentista (proposta de restauração desta) a partir da diferença de concepção de como o tal braço deveria estar.
O que mais nos chama a atenção é a intuição acertada de Michelangelo a respeito do movimento correto da estátua, o que demonstra seu conhecimento profundo de anatomia, mas penso que seu conhecimento era ainda maior: ele certamente sabia que na época em que Laocoonte foi feito, mesmo que não existisse ainda a expressão período helenístico, a dramaticidade em tal período era vigorosa e com uma entrega mais total, mais revolta sob o mundo dos deuses do que era entendida no Renascimento. E que, para acentuar o aspecto circular, espiralado do movimento das serpentes, aquele braço não poderia estar fugindo de sua sina, mas adequando-se a ela.
Quanto a uma análise sociológica, Lúcio, aí é coisa mais complicada. Precisaríamos de um estudo sobre a Grécia debaixo do jugo de Alexandre, com as cidades-Estado já enfraquecidas em sua independência, empobrecidas após a Guerra do Peloponeso anterior à conquista de toda a península. Laocoonte surge como uma metáfora da época de seus criadores: as cidades, grandes e pequenas, estranguladas por um poder estrangeiro, do qual nunca mais se recuperariam em sua grandeza.
No Renascimento idealista a posição é outra: Florença, Veneza e Roma (entre outras) estão no auge de seu burburinho intelectual alimentado por uma classe mercantil poderosa, rica, pródiga. Laocoonte, aqui, tem por onde fugir, tem como levantar um protesto, sair da espiral estranguladora. Por isso a proposta do tal braço levantado arregimentou mais simpatizantes que a lúcida visão de Michelangelo...
O que escrevi é, em poucas palavras, o que observei a partir da sua provocação, Lúcio. Mais que isso seria começar um tratado...
E bem sei que durante estes dias difíceis neste nosso país combalido e prestes a fenecer sob o estrangulamento de outras serpentes o assunto em pauta é bem outro. Quase não há lugar, neste dias, para Arte.
Mas também é verdade que nós precisamos continuar, apesar de tudo, nossa pacífica jornada no mundo do pensamento.
É isso.
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:: 11:42 AM [+] ::
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:: Quinta-feira, Julho 06, 2006 ::
O GRUPO DE LAOCOONTE
O grupo de Laocoonte é uma escultura em mármore, e encontra-se hoje no Vaticano. Foi descrito por Plínio, o Velho no volume 36 da sua Naturalis Historia como uma obra de arte superior a qualquer pintura ou bronze conhecido do autor. A escultura encontrava-se então no palácio do Imperador Tito. A autoria da obra é atribuída por Plínio a Hagesander, Athenodorus e Polydorus, três escultores da ilha de Rodes (há quem diga que estes 3 escultores a copiaram de obra mais antiga, provavelmente do século III ou II a.C). Mas através do cruzamento desta informação de Plínio com o período de vida dos escultores, a estátua fica datada na segunda metade do século I a.C., mais provavelmente entre 42 e 20 a.C. A escultura foi provavelmente encomendada por um cidadão romano rico, mas não se sabe exatamente como foi parar às mãos imperiais. Após esta menção de Plínio, o grupo de Laocoonte desaparece nos 1400 anos seguintes.No dia 14 de janeiro de 1506, o romano Felice de Fredi descobriu uma estátua durante trabalhos de manutenção da sua vinha, localizada na zona das antigas termas de Tito. A escultura desconhecida estava desfeita em cinco pedaços, mas todos os habitantes da Roma renascentista sabiam reconhecer uma obra clássica quando a viam e de Fredi passou a palavra a Giuliano de Sangallo, arquiteto do papa Júlio II. Sangallo acorreu ao local da descoberta de imediato trazendo consigo Michelangelo Buonarroti, que por coincidência almoçava na sua casa nesse dia. De imediato, os dois reconheceram a estátua desfeita como o grupo de Laocoonte descrito por Plínio e enviaram a notícia da descoberta a Júlio II, que comprou a estátua na hora por 4140 ducados.
A redescoberta do grupo de Laocoonte causou enorme sensação em Roma. Felice de Fredi foi recompensado com uma pensão vitalícia de 600 ducados por ano e, quando morreu, o seu papel na descoberta da estátua ficou mencionada no seu túmulo.
O grupo de Laocoonte era escultura incompleta, pois faltava principalmente o braço direito da figura do próprio Laocoonte. A omissão provocou o debate da comunidade artística romana, polarizado entre duas opiniões: Michelangelo sugeriu que o braço estivesse dobrado sobre o ombro do personagem, enquanto que a maioria defendia que estivesse, pelo contrário, distendido numa posição mais heróica. Júlio II organizou então uma competição informal onde os escultores pudessem propor a sua solução para o problema. Rafael, como júri do concurso, acabou por escolher uma proposta que representava o braço esticado, e a estátua foi completada desta forma.
Em 1957, o verdadeiro braço perdido de Laocoonte foi descoberto num antiquário italiano e, como Michelangelo previra, estava de fato dobrado sobre o ombro.
Esta é a proposta heróica para o braço direito de Laocoonte feita por escultor renascentista e que durante 500 anos completou a estátua do sacerdote.
E esta é a posição original com o braço encontrado em 1957. O mais interessante é que tanto os escultores helenísticos quanto Michelangelo souberam interpretar corretamente a posição dos músculos que indicavam a real posição!
A LENDA
Laocoonte e seus filhos fazem parte da semi-lendária guerra de Tróia. Os gregos estavam atacando Tróia e um dia colocaram diante das muralhas um imenso cavalo de madeira, fingindo retirada. O sacerdote troiano Laocoonte advertiu seus compatriotas de que poderia ser um truque. Não lhe deram atenção e o cavalo foi trazido para dentro. À noite, os soldados gregos saíram do bojo do cavalo e dominaram Tróia de surpresa. Como a deusa Atena estava do lado dos gregos, resolveu se vingar de Laocoonte por ter quase atrapalhado seus planos. Duas serpentes gigantescas saíram do mar e envolveram Laocoonte e seus filhos. A escultura os imagina no momento mais doloroso de sua agonia.
http://pt.wikipedia.org/
http://www.sampa.art.br/saopaulo/Laocoonte.htm
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:: Quinta-feira, Junho 29, 2006 ::
OLHE SÓ O QUE EU ACHEI
Dentro de um velho livro da década de 40 achei este panfleto do Colégio Assunção (frente e verso). O panfleto fala por si.
Coloco aqui para que algum estudioso de plantão possa se servir dele para alguma pesquisa que precise fazer...
Desculpem o tamanho, mas só assim as letrinhas ficam mais visíveis...
E retomando o assunto validade ou não da carta da Princesa Isabel, cá está o que eu disse antes: as palavras Pai e Mãe (Pae, no século XIX) eram escritas com inicial maiúscula até a metade do século XX.
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:: 12:26 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Junho 21, 2006 ::
SAUL BASS (1920/1996)
Designer gráfico que revolucionou a arte de apresentar um filme através de seu cartaz. Nascido no Bronx, Nova York, Saul Bass começou a estudar arte muito cedo. Em 1936 ganhou bolsa de estudo para a Art Student's League em Manhattan. E depois de trabalhar como assistente no departamento de arte no escritório novaiorquino da Warner Brothers, entrou no Brooklyn College para estudar design gráfico com o designer Gyorgy Kepes, que trazia com ele influência da Bauhaus. Depois de um período como designer free lance, mudou-se para Los Angeles e em 1950 abriu seu próprio estúdio, o Saul Bass & Associates. O primeiro cartaz de filme feito por ele foi o de Carmen Jones, de Otto Preminger, em 1954, ano em que fez cartazes para outros filmes. Mas foi com o cartaz de O homem com braço de ouro (1955, direção de O. Preminger) que Saul Bass marcou época, com seu ousado desenho contundente em preto-e-branco remetendo-nos a um solo-metal de jazz. O desenho foi aproveitado para a abertura do filme, provando que esta pode e deve mostrar a força e a significância do tema abordado.
Além de cartazes de filmes, Bass fez inúmeros desenhos gráficos para importantes companhias norte-americanas. Nos cartazes, sua característica mais marcante é naqueles em que utiliza menos elementos para apresentar o filme, centralizando o tema e dando a este o impacto necessário ao interesse do espectador.
Seus trabalhos mais recentes foram os cartazes de A era da inocência, A lista de Schlinder, O Cabo do medo - entre outros.
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:: 12:33 AM [+] ::
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:: Segunda-feira, Junho 12, 2006 ::
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Hoje recebi por e-mail um texto amargo e desesperado do João Ubaldo Ribeiro a respeito da tontura de ser brasileiro hoje dentro desta máquina sócio-política-econômica falida da qual fazemos parte. Solução sugerida por ele? Que nos conscientizemos de que nós somos o país e responsáveis por quem quer que coloquemos no governo.
Não adianta, João Ubaldo, não adianta mais nada. Somos a demolição do Palácio Monroe, a cobertura das Sete Quedas, a Taça Jules Rimet derretida.
A Taça Jules Rimet derretida é o símbolo do que deixamos de ser.
Não adianta que perhaps ela tenha sido falsa e que a verdadeira anda por aí num cafofo qualquer. Nós fomos derretidos mil e uma vezes, remoldados mil e uma vezes, espoliados mil e uma vezes. Mil e uma vezes nos disseram que brasileiro é assim mesmo, que brasileiro dá um jeitinho, que somos um povo aberto e hospitaleiro, que não somos honestos por natureza... Mil e uma vezes fomos enganados, roubados, empobrecidos, maltratados, desaculturados.
Mil e uma vezes fomos derretidos. Melted. Kaput.
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:: 2:20 AM [+] ::
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:: Quinta-feira, Junho 01, 2006 ::
LEDA E O CISNE
A lenda de Leda e o Cisne conta a poética façanha de Zeus que, para atrair Leda, bela princesa recém-casada com Tíndaro, herdeiro do trono de Esparta, transforma-se em um lindo cisne branco que, aproximando-se da jovem, acasala-se com ela. Leda dá à luz dois ovos: num deles, Helena e Castor; noutro, Clitemnestra e Pólux. Tíndaro adotou os filhos de Leda como seus.
O tema foi largamente utilizado no mundo da arte. Os exemplos abaixo ilustram concepções diferentes desse envolvimento mágico. Quem quiser passear por várias variações do tema, clique aqui. Alguns são meio grotescos, e nem sempre há indicação do autor da obra.
Escolhi três passagens no tratamento do feminino: no primeiro, cópia de original perdido de Leonardo da Vinci (c. 1505). No segundo, escultura de Bartolomeo Ammanati (1566). No terceiro, desenho de autor não-identificado e não-datado, mas seguramente contemporâneo.
Na primeira obra, um certo ar espiritual emana da relação; na segunda, a paixão terrena é clara entre os amantes; na terceira... bem...
Interessante é como o o autor contemporâneo coloca a mulher de hoje... É assim que os homens em geral nos vêem agora?
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:: 1:22 PM [+] ::
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